Primeira mulher a comandar um Airbus A350 no mundo e pioneira na aviação cargueira relatam trajetórias e desafios

Claudine Melnik e Juliana Alba Divulgação/Latam Desde criança, Claudine Melnik se imaginava voando. Décadas depois, tornou-se a primeira mulher a comandar u...

Primeira mulher a comandar um Airbus A350 no mundo e pioneira na aviação cargueira relatam trajetórias e desafios
Primeira mulher a comandar um Airbus A350 no mundo e pioneira na aviação cargueira relatam trajetórias e desafios (Foto: Reprodução)

Claudine Melnik e Juliana Alba Divulgação/Latam Desde criança, Claudine Melnik se imaginava voando. Décadas depois, tornou-se a primeira mulher a comandar um jato da companhia no Brasil e, em 2016, a primeira mulher no mundo a comandar um Airbus A350. Aos 57 anos, acumula 33 anos de carreira e mais de 20 mil horas de voo, principalmente em rotas internacionais de longo alcance. Aos 34 anos, Juliana Alba também construiu sua trajetória na aviação, mas em outra área: a operação cargueira. Filha de um comandante da Latam Cargo, ela cresceu acompanhando a profissão do pai e decidiu seguir o mesmo caminho. Entre as experiências mais marcantes da carreira está um voo dedicado exclusivamente ao transporte de cavalos. As histórias das duas comandantes, que atuam na Latam Airlines Brasil, mostram diferentes caminhos dentro da aviação e os desafios de uma profissão que exige preparo técnico, responsabilidade e capacidade de decisão. As trajetórias também ajudam a contar a presença feminina em um setor historicamente ocupado por homens, tema que ganha destaque no Dia do Aviador, celebrado nesta sexta-feira (23). De um sonho de infância ao comando de voos internacionais Claudine Melnik foi a primeiro piloto de uma companhia áerea no Brasil Divulgação/Latam “Desde criança eu tinha muita vontade de voar, não sei exatamente se foi por causa de uma viagem de férias que fizemos em família ou se essa vontade já era anterior. Mas o fato é que desde muito pequena eu me via voando de alguma forma”, afirma Claudine. Ainda criança, ela imaginava seguir os passos de um primo aviador da Força Aérea Brasileira (FAB). A instituição só abriu as portas para as mulheres em 1982. Para se aproximar da profissão, Claudine fez aulas teóricas de voo em um aeroclube em Curitiba (PR) e aulas práticas em Juiz de Fora (MG). Em dezembro de 1992, já com as licenças necessárias para pilotar, ingressou na TAM como comissária de voo. Quando surgiu a oportunidade, migrou para a função de tripulante técnica, carreira que sempre quis seguir. Claudia foi a primeira mulher a se tornar comandante de uma linha aérea no país Divulgação/Latam Em 1994, passou a atuar como copilota do Caravan C208. No ano seguinte, em 1995, tornou-se a primeira mulher comandante da companhia e do Brasil. A carreira acompanhou mudanças na aviação comercial. Em 1998, Claudine integrou a primeira turma de pilotos do Airbus A330 da TAM, preparada para as operações internacionais. Seu primeiro voo para o exterior foi para Miami, nos Estados Unidos. Em 2001, tornou-se a primeira mulher a comandar um jato da companhia, o Fokker 100. Posteriormente, também atuou como instrutora e avaliadora de aeronaves da família Airbus e, em 2008, passou a comandar voos internacionais no A330. Outro marco veio em 2016, quando se tornou a primeira mulher no mundo a comandar um Airbus A350. Atualmente, Claudine tem como sua base Guarulhos, na Grande São Paulo, e pilota os modelos Boeing 777 e 787, utilizados pela companhia em rotas internacionais do Brasil para a América do Norte, Europa e África. Do preconceito à cabine do A380: a jornada da primeira comandante brasileira do maior avião comercial do mundo Ao longo de mais de três décadas, a comandante acompanhou avanços tecnológicos que transformaram a navegação, a automação e o planejamento dos voos. Para ela, apesar da evolução das ferramentas, a experiência humana, a comunicação e a capacidade de tomar decisões continuam fundamentais para a segurança. “Depois de tantos anos na aviação, estar no cockpit representa uma história de aprendizado, superação e transformação. O comando de uma aeronave não é um símbolo de poder pessoal, mas um compromisso com a segurança, com a equipe e com as pessoas que confiam em nosso trabalho”, afirma Claudine. Mãe de dois filhos, Claudine diz que a profissão exige dedicação pessoal, tanto para homens quanto para mulheres. Ela também avalia que a autocobrança feminina pode tornar a carreira mais difícil para as mulheres. A comandante descreve a dificuldade de ficar longe dos filhos durante o trabalho e de não acompanhar momentos importantes da vida familiar. Mesmo com os desafios, considera que sua trajetória profissional seguiu o caminho que deveria seguir. Os desafios da aviação cargueira Juliana Alba Divulgação/Latam Aos 34 anos, Juliana Alba também cresceu cercada pela aviação. Nascida em São Paulo, acompanhou desde cedo a carreira do pai, Arnaldo Alba, comandante da Latam Cargo. Aos 19 anos, depois de estudar e trabalhar nas áreas de Comércio Exterior e Administração, decidiu seguir a mesma profissão. Juliana conquistou as licenças necessárias, tornou-se instrutora de voo e ingressou na Latam diretamente na operação cargueira. Foi a primeira mulher, em 15 anos, a assumir o comando de uma aeronave de carga da companhia. Juliana Alba Divulgação/Latam Na aviação cargueira, o planejamento varia conforme a operação e o tipo de carga. Medicamentos e frutas, por exemplo, podem exigir controle rigoroso de temperatura para preservar suas condições até o destino. Voos para aeroportos com características geográficas ou operacionais mais complexas também demandam preparação e treinamento específicos. Uma das experiências mais marcantes de Juliana foi um voo dedicado exclusivamente ao transporte de cavalos. A operação exigiu atenção aos cuidados específicos para garantir a segurança dos animais durante o trajeto. “Na aviação cargueira, precisamos estar sempre preparadas para mudanças. A responsabilidade é grande, principalmente pelas características das cargas que transportamos e pelas particularidades de algumas operações. É um trabalho que exige muita atenção e conhecimento”, conta Juliana. Presença feminina na aviação As trajetórias das duas comandantes também refletem o desafio de ampliar a presença feminina em uma profissão historicamente ocupada por homens. Claudine acredita que sua carreira ajuda a demonstrar que competência técnica, liderança e capacidade de decisão não dependem de gênero. Já Juliana espera que mais mulheres tenham acesso às oportunidades de formação e crescimento na aviação cargueira. No caso da Latam, atualmente são 94 pilotas, que representam 4,1% dos 2.287 tripulantes técnicos da companhia. O percentual está ligeiramente acima da média global de 4%, segundo a Organização da Aviação Civil Internacional (OACI). Do preconceito à cabine do A380: a jornada da 1ª comandante brasileira do maior avião come