Apenas 4 dos mais de 2 mil locais de votação de SP deram mais votos a candidatas a deputada federal em 2022

Imagem urna eletrônica Reprodução/TV Globo As candidatas mulheres a deputada federal ultrapassaram 50% dos votos nominais em apenas quatro dos 2.048 locai...

Apenas 4 dos mais de 2 mil locais de votação de SP deram mais votos a candidatas a deputada federal em 2022
Apenas 4 dos mais de 2 mil locais de votação de SP deram mais votos a candidatas a deputada federal em 2022 (Foto: Reprodução)

Imagem urna eletrônica Reprodução/TV Globo As candidatas mulheres a deputada federal ultrapassaram 50% dos votos nominais em apenas quatro dos 2.048 locais de votação da cidade de São Paulo no primeiro turno das eleições de 2022. Nos outros espaços, candidatos homens receberam mais votos nominais do que as mulheres. O levantamento foi feito a partir de plataforma do grupo Girl Up Brasil, com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que considera apenas os votos nominais — sem votos brancos, nulos ou em legenda. Em 2022, o estado teve 1.458 candidatos a deputado federal, sendo 450 mulheres. 🔎 A Girl Up Brasil lançou a plataforma "Marias do Bairro" que revela quanto cada seção eleitoral, cada município e cada estado do país votou em candidatas mulheres para Câmara dos Deputados e Senado Federal, em 2022. (Leia mais abaixo.) Somente a capital concentra 9.135.407 pessoas aptas a votar nas eleições de 2026 (26,7% do eleitorado estadual), 2.048 locais de votação e 26.686 seções eleitorais. Os 20 locais com maior proporção de votos para candidatas estão concentrados principalmente em regiões como Pinheiros e Alto de Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo. Enquanto os 20 menores percentuais aparecem sobretudo em Parelheiros e Grajaú, no extremo Sul da capital. O Colégio Vera Cruz, na Vila Ida, ficou no topo do ranking, com 54,03% dos votos nominais para candidatas. No Colégio Santa Cruz, no Alto de Pinheiros, foram 49,19%, e no Colégio Horizontes, na Vila Madalena, 49,14%. No outro extremo, o Centro de Detenção Provisória de Pinheiros III, na Vila Leopoldina, registrou 20 votos nominais, todos destinados a candidatos homens. Na E.E. Prof. Jesus José Attab, em Parelheiros, as candidatas tiveram 8,35%, e na E.E. Vicentina Aparecida Tamborino, no Jardim Varginha, 8,90%. Local com maior percentual de votos em candidatas mulheres nas eleições de 2022. Arte g1 Os distritos que ocupam o topo e o fim do ranking têm perfis socioeconômicos diferentes, segundo o Mapa da Desigualdade 2025, do Instituto Cidades Sustentáveis. A remuneração média mensal do emprego formal, por exemplo, é de R$ 8.115,83 em Alto de Pinheiros e R$ 5.945,02 em Pinheiros. Em Parelheiros e Grajaú, as médias são de R$ 2.715,41 e R$ 2.555,03, respectivamente. Os distritos também apresentam diferenças na composição racial e etária da população. Em Pinheiros, 11,1% dos moradores são pretos ou pardos, segundo o Mapa da Desigualdade 2025, enquanto em Alto de Pinheiros são 8,1%. Em Parelheiros e Grajaú, essa proporção chega a 56,6% e 56,8%, respectivamente. A população de 0 a 29 anos também é proporcionalmente maior nos dois distritos da Zona Sul: 47,08% em Parelheiros e 45% no Grajaú, contra 24,04% em Pinheiros e 25,03% em Alto de Pinheiros. Os dados, no entanto, não permitem concluir que essas características socioeconômicas expliquem o comportamento eleitoral, já que o levantamento não considera, por exemplo, o perfil das candidatas disponíveis em cada região nem onde elas concentraram suas campanhas. Como foi feito o levantamento Os percentuais foram calculados sobre os votos nominais para deputado federal no primeiro turno de 2022, considerando o gênero das candidaturas. Votos brancos, nulos e votos em legenda foram excluídos da conta. A base reúne os locais de votação da capital paulista e permite comparar a proporção de votos recebidos por candidatas mulheres e candidatos homens em cada endereço. O ranking considera o percentual de votos destinados às mulheres em cada local, e não o número absoluto de votos (Leia mais abaixo para saber como descobrir se seu bairro vota em mulheres). Locais com menor percentual de votos em candidatas mulheres em 2022. Arte g1 Por que as mulheres ainda são minoria? Atualmente, somente cerca de 18% das 513 cadeiras na Câmara dos Deputados são ocupadas por mulheres. Em contrapartida, elas representam mais de 51% da população brasileira. Para Daniela Costa, gerente de Redes e Advocacy da Girl Up Brasil, a desigualdade na representação feminina é resultado de fatores históricos e estruturais. "A política, historicamente, não foi feita tendo a mulher em consideração. Então, a mulher foi poder se candidatar, foi poder votar muito depois que os homens. Porque a mulher sempre foi muito mais relegada ao espaço privado", diz. Segundo ela, a desigualdade também aparece dentro dos próprios partidos, que têm papel importante na formação e no financiamento das candidaturas. "Esse espaço ainda é muito masculino. Os partidos e a forma como os partidos, por exemplo, dividem os recursos do fundo eleitoral, ainda é muito desigual. A forma como os partidos recrutam e treinam também essas mulheres dentro da política, dão espaço dentro do partido para que essa mulher cresça, para que ocupe cargos, para que elas se candidatem com uma real chance de serem eleitas." Para Daniela, também é importante ampliar a diversidade das mulheres que ocupam o Congresso, levando para o debate diferentes territórios e trajetórias. “As mulheres, assim como a sociedade brasileira, são muito diversas e pensam de diversas formas. Por isso que é importante a gente também olhar para diversos perfis e especialmente para mulheres que historicamente não acessam esse espaço. E aí entram as mulheres negras, as mulheres indígenas, as mulheres com deficiência, as mulheres de periferia, as mulheres jovens.” A gerente de Redes e Advocacy da Girl Up Brasil destaca que essas diferentes experiências podem ampliar o debate sobre problemas que historicamente ficaram de fora da política. “É muito importante que a gente eleja mulheres, porque elas vão olhar para problemas estruturais, mas elas vão olhar a partir de vivências muito próprias e muito específicas, que inclusive ampliam o olhar, ampliam o debate para olhar para questões historicamente deixadas de lado, historicamente esquecidas.” Seu bairro vota em mulheres? Aplicativo Marias do Bairro desenvolvido pela Girl Up Brasil. Reprodução Quer descobrir como o seu bairro votou nas eleições de 2022? A plataforma Marias do Bairro permite consultar, de forma simples, a votação de candidatas mulheres para a Câmara dos Deputados e o Senado em cada seção eleitoral, município e estado do país. Os dados vêm dos microdados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que reúnem informações de mais de 92 mil locais de votação nos 5.570 municípios brasileiros. A ferramenta mostra se a sua região ficou acima ou abaixo da marca de 50% dos votos para mulheres e permite comparar o resultado com o de outros lugares. Também é possível compartilhar a descoberta pelo WhatsApp ou imprimir materiais para levar o resultado para a vizinhança. A ideia, segundo a gerente de Redes e Advocacy da Girl Up Brasil, é transformar um dado difícil de acessar em assunto de conversa. “O intuito é aproximar a população dessa informação para conscientizar e gerar um diálogo sobre por que é importante votar em mulheres, por que a nossa cidade vota ou não vota em mulheres", explica. A plataforma chama esse movimento de “fofoca”: descobrir como o bairro votou e levar o resultado para a amiga, a vizinha, o comércio, a feira e outros espaços da comunidade.